Giba da Pedra da Anixa

Novo membro da tripulação do "CREOULA"
New ship's crew since June 2006
(Navio de Treino de Mar) N.T.M. CREOULA
O Cão de Água Português volta ao barco de "Pesca"

 

N.T.M. CREOULA

L.O.A. 62.2m
Year Built: 1937
Biographical Data:

Creoula is a four masted schooner which was launched in 1937 after a record building time of 62 working days. She has a reinforced bow to enable her to fish in the icy seas off Newfoundland and Greenland. Until her last fishing trip in 1973, Creoula had wooden topmasts, boom and gaffs.

She had run 37 fishing expeditions achieving sometimes nearly 36 tons of fish in a single day. In 1979, she was bought by the Portuguese Secretaries of State for Fishing and Culture with the intention of creating a Museum of Fishery, but when the hull was found to be in such good condition, it was decided to keep her sailing as a sail training vessel for young people and future fishermen.







(Navio de Treino de Mar) N.T.M. CREOULA

Escola de mar e de vida
Foram duas as vidas que o Creoula viveu desde que foi construído nos Estaleiros Navais de Lisboa, em 1937. Duas as faces que os marinheiros - os de ontem, os de hoje, os de sempre - lhe conheceram desde que o casco arrancou a espuma à primeira onda, primeiro como navio de pesca, depois como navio de treino de mar. Ano após ano, ventos incertos impelem mar adentro este velho bacalhoeiro, dos mais antigos do País e um dos poucos que ainda navegam em grandes travessias. Um pedaço da própria história do País convertido hoje na mais carismática escola de vida.

"Guarnição e instruendos chamados à faina. Formar e alinhar", grita a voz orientadora do marinheiro encarregado de encabeçar as operações matinais. O apito já soou, todos acorrem à ponte do veleiro como se de um ultimato se tratasse. Uns e outros espantam os sinais evidentes do sono, inspiram o ar fresco que sobe do mar e perfilam-se por equipas (previamente estruturadas pelos chefes de grupo) junto do traquete, do contratraquete, do grande e da mezena, os mastros que se erguem da proa à popa do navio. E escutam.

Há tarefas a atribuir, casas-de-banho e camaratas para limpar, louça para lavar no refeitório, serviços vários de apoio à cozinha para fazer. Aquelas são as primeiras ordens do dia no navio que nunca dorme, há que puxar de toda a vontade para deitar mãos à obra. Mas ninguém se queixa já se percebeu que, ali, o lema "um por todos e todos por um" é a regra, do desempenho de cada um depende o bom funcionamento do veleiro em geral. E por isso cumprem. Com prazer e uma boa disposição nascidos da mais profunda camaradagem.

"Num País de tão forte ligação ao mar como é o nosso, uma viagem no Creoula significa, para muitos, o primeiro contacto com a experiência dos marinheiros." Um contacto que não podia ser mais forte, porque vivido na primeira pessoa, nem mais profundo, pela descida incontornável ao interior de cada um, num teste aos próprios limites.

Por essa razão, considera o comandante, quando lhe pedem para definir o objectivo principal das missões alargadas a civis, a resposta é uma só "Levar os nossos jovens para o mar, despertar neles essa paixão [não foi à toa que o Ministério da Defesa Nacional classificou o veleiro de navio de treino de mar - N. T. M.] . E isto sabendo que, se não fosse o Creoula, provavelmente poucos teriam outro meio de provar esta vivência única."

A novidade - caras novas, lugares novos, ritmos diferentes - atravessa a embarcação como um sopro da proa à ré, ditando os gestos e as conversas, o empenho e a dedicação dos instruendos. E desde o momento do embarque, é a intensidade da vivência a bordo o elo que une a guarnição do Creoula - composta por seis oficiais, seis sargentos, 26 praças e o comandante - ao grupo de "alunos" - o navio tem capacidade para cerca de 50, entre os marinheiros improvisados propriamente ditos, os chefes das várias equipas e um chefe de treino geral.

Tudo o mais, ali dentro, passa pelas aulas de prática marítima e de navegação. Pelas horas de trabalho árduo e animação intensa. Pela amizade que, inevitavelmente, nasce e deixa saudades, nos que partem e nos que ficam. No final, ninguém é capaz de esquecer a vida a bordo. A alma de navegante aprendida no mar dura toda uma vida de pés bem assentes no solo.

Sal e risos moldam caracteres desde 1937
As origens do N. T. M. Creoula escrevem-se com sal e sangue - das mãos gretadas dos pescadores de bacalhau nos mares gelados da Terra Nova -, mas também com a vontade férrea dos trabalhadores dos antigos estaleiros da CUF. Porque foi aí, de facto, que tudo começou. No início de 1937, em apenas 62 dias úteis, o Creoula foi construído para a Parceria Geral das Pescarias com os quatro mastros que ainda hoje compõem a sua imagem de marca. A 10 de Maio era lançado à água e, nesse mesmo ano, o antigo bacalhoeiro partiu na sua primeira campanha de pesca.

"A gente andava desde as seis horas da manhã até às sete da tarde sem comer", testemunha um velho pescador no livro Creoula, Notas e fotos de embarque no navio de treino de mar, recordando o peso dos dias passados em mais de 12 horas de pesca, somadas a outras sete que demoravam a arranjar os bacalhaus recém-apanhados. "O que apertava era a sede. Quando chegava a bordo botava o bule à boca, matava a sede com aguardente. Depois metíamos os botes dentro, depois de comer vínhamos para a escala até acabar o peixe. A gente na escala era ali debaixo de chuva, vento... a água a entrar pelo pescoço dentro... e um homem a cortar peixe."

Por norma, o navio largava de Lisboa no final de Março rumo aos bancos da Terra Nova, Nova Escócia e Gronelândia, onde permanecia até Setembro (meados de Outubro no máximo) antes de regressar ao País. Os meses de Inverno eram o tempo certo para reparar avarias e rever a maquinaria, para afagar as velas e dar algum repouso ao corpo fatigado dos homens do mar.

A vida do navio seria assim até 1973, data que assinala a última campanha do lugre aos mares do norte. Três anos mais tarde, a Secretaria de Estado das Pescas (apoiada pela Secretaria de Estado da Cultura) decide comprá-lo para transformá-lo em museu. Adquire-o em 1980 com esse fim em vista, mas acaba por mudar de ideias quando verifica o bom estado de conservação do navio e percebe que aquele é o espaço ideal, depois de recuperado e modificado, para criar um navio de treino de mar.

O antigo porão deu origem à zona que hoje se estende da casa das máquinas à coberta de praças, a enfermaria foi alargada, criou-se o refeitório, ampliaram-se as instalações sanitárias, mudou-se o lastro da embarcação. No dia 1 de Junho de 1987, o Creoula era oficialmente entregue ao Ministério da Defesa Nacional, mediante despacho, e adquiria o estatuto de Unidade Auxiliar da Marinha (UAM 201). Recebia ainda a classificação de "navio de treino de mar", que mantém actualmente, iniciando uma nova etapa na sua história pessoal de navegação oceânica à vela.

Hoje, o N. T. M. Creoula continua a marcar pessoas, a moldar caracteres, a formar marinheiros rijos voltados para o mar e para o respeito pelo próximo. Qualquer que seja a nova missão em agenda ela encerra, com toda a certeza, um potencial grupo de amigos. Amigos que ficam para a vida, quando as amarras voltam a prender o navio ao cais no regresso a casa. Amigos dentro e fora da tripulação, dentro e fora do País. É que as origens do antigo bacalhoeiro também se escrevem com a união dos homens.

DN de 6/Nov/2005
Tipo Lugre de 4 mastros
   
Comprimento de fora a fora 67,4 m
Comprimento entre perpendiculares 52,8 m
Boca 9,9 m
Pontal 5,9 m
Altura dos Mastros 36,0 m
Deslocamento leve 894 ton.
Deslocamento máximo 1300 ton.
Calado 4,7 m
Aguada 146 ton.
Combustível (gasóleo) 60 ton.
   
Motor principal MTU/8 cilindros
Potência 500 cv
   
Lotação 06 Oficiais
  06 Sargentos
  26 Praças
   
Capacidade de embarque 51 instruendos
  01 Director de Treino

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Photos from www.juvemedia.pt and www.marinha.pt/creoula/index.html